domingo, 3 de fevereiro de 2013

INFLUÊNCIA DA CULTURA AFRICANA NO BRASIL


INFLUÊNCIA DA CULTURA AFRICANA NO BRASIL



Com a miscigenação das culturas hoje o Brasil é um país que possui uma diversidade cultural muito grande com forte presença negra, os escravos trouxeram suas matrizes culturais e transformaram não só sua religião, mas todas suas raízes em cultura de resistência social.
A influência africana no Português do Brasil veio do IORUBÀ, falado pelos negros vindos da Nigéria e é notada principalmente no vocábulo relacionado a cultura e a religião. O culto afro brasileiro vem da prática religiosa das tribos africanas, cada um tem sua forma de promover seus cultos, celebrar seus rituais, chamar o nome de Deus, contar sua história e expressar suas concepções através dos símbolos.
O negro deu seu ritmo a música e a dança, também lhe deu nomes como: Chorinho e samba, por isso se diz que a música popular brasileira nasceu na África. A copeira nasceu da necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência, os africanos escravizados utilizavam o ritmo e os movimentos de suas danças adaptando a um tipo de luta. Alguns instrumentos musicais hoje muito utilizados nos mais variados ritmos musicais brasileiros tais como; a cuíca, berimbal, atabaques etc..                                                                         
A herança africana deixada para nossa alimentação, acarajé, farofa, vatapá, mungunzá, quibebe, são pratos usados como comidas de santo, ou seja, comidas oferecidas as divindades religiosas, e hoje são representantes da culinária brasileira, também forma incorporados aos hábitos alimentares dos brasileiros o angu, cuscuz, pamonha e a feijoada, leite de coco, azeite de dendê, temperos, pimenta. Junto com os negros escravizados foram trazidos ingredientes africanos como a banana e a palmeira que produz o azeite de dendê.

Fonte www.ensinosimples.blogspot.com.br/2012/05/influencia-do-negro-na-cultura

Cacique guarani kaiowá diz que pode ser assassinado a qualquer momento a mando de fazendeiro

Publicado em 29/01/2013, 20:54
Última atualização às 20:54
O cacique Ládio Veron, da aldeia Taquara, município de Juti, no Mato Grosso do Sul, teme ser morto a qualquer momento, a mando de um fazendeiro que teria contratado o matador, um indígena que tem em seu histórico o assassinato de oito pessoas. O pagamento teria sido feito em parcelas, desde agosto do ano passado e a última foi agora em janeiro. Há duas semanas a sogra do matador avisou Ládio Veron sobre a decisão do genro em matá-lo. Ela acompanhou o cacique na elaboração do boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia. Homens da Polícia Federal de Naviraí foram à aldeia investigar o caso mas não permaneceram no local para dar segurança ao indígena ameaçado. Entrevista à repórter Marilu Cabañas.

Samuel L. Jackson: “A escravatura era a coluna vertebral do nosso país”


Em “Django”, Samuel L. Jackson encarna um dos mais belos patifes da história do cinema e rouba a maior parte das cenas aos seus camaradas de cena
Publicado em Backchich. Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net
É o ator mais rentável de todos os tempos (os seus filmes recolheram a bela soma de… 7,4 bilhões de dólares!) No correr dos anos, ele teve papéis em “Jurassic Park”, “Die Hard”, “Star Wars”, “Iron Man”, “The Avengers”, “Shaft” e, evidentemente, na maior parte dos filmes do seu amigo Quentin Tarantino. No início de janeiro, Samuel Leroy Jackson – 64 anos, encarnação da atitude cool, boina na cabeça, look de gentleman-camponês – esteve em Paris com Tarantino e outros atores de “Django” para uma jornada de promoção non-stop, depois de Roma e antes de Berlim. Estamos no muito chic hotel Bristol, e o Circo Tarantino está lá instalado. Estão presentes QT, Sam Jackson, Christoph Waltz, Jamie Foxx e Kerry Washington. Para cada talento, um assessor de imprensa, um publicista, um assistente, um maquiador, amigos, ou seja, entre 8 e 15 pessoas por vedeta. São 13 horas e o segundo andar do Bristol está em ebulição: tudo regulado, milimetricamente, por um exército de assessores de imprensa que mantêm em ordem um bando de jornalistas nervosos. Tenho 15 minutos de face a face com uma lenda.
Cena do filme Django (divulgação)
Primeira indiscrição, o ator mais rentável de todos os tempos é simpático, afável e não hesita em sair do discurso promocional que nos é servido habitualmente neste tipo de encontros. Segunda indiscrição: Sam The Man fuma cigarros eletrônicos. Terceira indiscrição, tem o ritmo de um rapper e a voz “suínga”.
Bom dia, estou verdadeiramente encantado de entrevistá-lo.
Samuel L. Jackson : Encantado.
Fuma?
S. L. J. : Oh, é um cigarro eletrônico. Estou tentando largar este hábito sujo há anos. Mas, enfim…
Você entra na maior parte dos filmes de Tarantino, faz mesmo a voz off de “Bastardos Inglórios”. É porque faz cantar os seus diálogos como se fosse um rap?
S. L. J. : Creio que ele acha isso, gostaria que achasse. Em todo o caso, gosto da forma como ele escreve, e ele gosta da forma como eu digo as réplicas.
Deve mesmo entrar em “Reservoir Dogs”.
S. L. J. : Sim, passei na audição. Lembra-se de Tim Roth que repete a sua história de cães com um negro, pois bem, acho que vou ter o papel desse tipo. Está combinado ente mim e Quentin.
Sou um filho da segregação”
Nasceu no Tennessee.
S. L. J. : Nasci em Washington e fui criado no Tennessee.
Sofreu com o racismo e conheceu a segregação. Que foi que sentiu ao atuar em “Django”?
S. L. J. :Conheço muito bem o Sul e gosto dele. Tenho um bom conhecimento da escravatura. Os americanos esqueceram-se que quando os cowboys exterminavam os índios, a escravatura era a coluna vertebral da economia do país, com as plantações de algodão e tabaco, os campos de cana de açúcar. Era trabalho forçado com uma maioria de negros mantidos prisioneiros por uma minoria de brancos. É o que mostra o nosso filme. Pergunta-se muitas vezes como os brancos puderam manter sob o seu jugo os seus escravos, que estavam em maioria numérica. Simplesmente pelo terror e pela intimidação! Certas cenas de “Django” são terríveis: o chicote, os combates de morte, os cães, mas a realidade era muito pior. Cortavam-se pés, mãos, dedos. Alinhavam as mulheres grávidas, escolhiam uma, esventravam-na e matavam o bebê. O suficiente para provocar a vontade de revolta. E este horror perdurou. Sabe, eu cresci na época da segregação, sou um filho da segregação. Havia sítios onde se podia ir e outros que eram interditados, com placas a dizer “Só para Brancos”.
No carro, na escola…
S. L. J. : … em todo o lado, era em todo o lado, mesmo na rua. Se olhávamos alguém de lado na rua, podias desaparecer, ser morto. Era a vida na América tal como a conheci.
Como explica que Hollywood fale tão pouco da escravatura?
S. L. J. : (em tom de enfado) A América pediu desculpa por ter massacrado os índios, mas nunca reabilitou a memória dos meus antepassados. Os americanos não gostam de falar nisso. Houve o Lincoln de Steven Spielberg que fala da política da escravatura e sei que o realizador Steve McQueen acaba de filmar “12 years a slave” (com Michael Fassbender e Brad Pitt), penso que será muito diferente de “Django”. Será interessante comparar os dois filmes.
Foi o senhor que teve a ideia do aspeto do seu personagem
S. L. J. : Trabalhei nisso durante um ano. Refleti sobre o penteado, sobre a cor da pele… Fizemos testes filmados e houve horas de maquiagem. Finalmente, chegamos a um compromisso e tinha uma hora e meia de maquiagem de manhã, uma prótese macia, não muito difícil de suportar durante o dia.
Foi um papel engraçado de interpretar?
S. L. J. : Sim, realmente, Stephen é um excelente personagem.
O meu personagem é um desgraçado de um colaborador”
Olhando-o ao lado de Leonardo di Caprio, tive a impressão de ver a serpente Kaa no desenho animado “O Livro da Selva”, ou o conselheiro do rei em Robin dos Bosques versão Disney, uma outra serpente.
S. L. J. : (brinca). Stephen é o homem atrás do trono. É ele que gere a plantação porque Calvin está demasiado ocupado com os seus combates de mandingos e o seu bordel. Quando o filme começa, a escravatura existe desde há 150 anos. O avô de Stephen e o seu pai ocuparam-se da fazenda Candie, o seu destino era continuar. Ele é o produto do meio e ocupa-se de Calvin como de um filho. Quer gozar dos seus privilégios enquanto os seus semelhantes nos campos morrem de pancada. Stephen é um desgraçado de um colaborador, que utiliza a situação a seu favor e que queria que a escravatura perdurasse mais 150 anos. De fato, é ele o senhor, ele tem o poder. E vê Django este antigo escravo que chega a cavalo, armado de pistola, como uma ameaça. Sobretudo, não quer que os outros escravos aspirem a esta liberdade.
No ecrã, rouba todas as cenas.
S. L. J. : Não era a minha intenção! Tentei ser fiel ao meu personagem, talvez o negro mais ignóbil da Sétima Arte, tentei servi-lo o melhor possível. Quando Stephen e Calvin estão juntos, tinha a impressão de que eram um monstro de duas cabeças. Era agradável representar esse papel com Leo.
Durante a escravatura, era a palavra negro que era usada”
Django” é um filme político?
S. L. J. : Este filme não é de forma alguma um documentário sobre a escravatura, é divertimento. Mas há aspetos políticos. A política da escravatura é uma coisa de que os americanos não querem falar, que escondem debaixo do tapete, e querem dar a entender que talvez não fosse assim tão grave…
Houve uma controvérsia nos Estados Unidos a propósito do uso da palavra “negro” em “Django”. Os jornalistas e os conservadores não se revoltaram pelo horror da escravatura, mas sim por esta palavra. Confesso que não entendi.
S. L. J. : Eu também não e, no entanto, vivo no país! Durante o período da escravatura, era a palavra usada, qual é então o problema?
Um assessor de imprensa entreabre a porta: “Last question, please”.
Em breve um filme com Nick Fury como vedeta?
S. L. J. : Não sei, adoraria. Em todo o caso, verão em breve Fury em “Capitão América 2”.
Já entrou em 150 filmes. Qual é o seu motor?
S. L. J. : Gosto disso, é só (explode em riso). É um bom emprego. Você é jornalista. Todas as manhãs, levanta-se e escreve. Faço uma coisa parecida. Se posso representar todos os dias, fico feliz. É o que faço, é o que gosto mais. E, sabe, é um desgraçado de um bom emprego!

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Brasil tem como principal causa de morte entre jovens o homicídio


Entre os países da América Latina, a Argentina, Chile e Uruguai têm os assassinatos em 12ª colocação, enquanto na Europa Ocidental, que inclui países como Inglaterra, França e Espanha, as mortes violentas ficam em 50ª lugar
Reportagem é de Viviane Tavares e publicada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)
Em quase todos os países do mundo, assim como no Brasil, as principais causas de mortesentre as pessoas são doenças como as cardíacas, isquêmicas, acidentes vasculares cerebrais, câncer, diarreias e HIV. Mas, outro fator vem ganhando as primeiras posições nas últimas décadas: o da violência. Segundo dados da Vigilância de Violências e Acidentes do Sistema Único de Saúde (Viva SUS 2008-2009), o homicídio tem ficado em terceiro lugar do ranking de causas de mortes dos brasileiros e, estratificando-se pela faixa etária de 1 a 39 anos, este número alcança a primeira posição.
Ratificando este índice, de acordo com a pesquisa Global Burden of Disease (GBD) – Carga Global de Doença, em português, publicada neste mês pela revista inglesa The Lancet e organizada pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, o Imperial College, de Londres, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fator violência é apontado como a principal causa de mortes entre jovens no Brasil e Paraguai. Entre os países da América Latina, a Argentina, Chile e Uruguai têm os assassinatos em 12ª colocação, enquanto na Europa Ocidental, que inclui países como Inglaterra, França e Espanha, as mortes violentas ficam em 50ª lugar.
Dados nacionais desenvolvidos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência daRepública (SDH), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência (LAV-Uerj) divulgados no mês de dezembro de 2012 destacam a parte deste número de homicídios que acontece ainda na adolescência. De acordo com o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), criado em 2007 por estas instituições, o número de mortes entre jovens de 12 a 18 anos vem aumentando ao longo do tempo. Para cada mil pessoas nesta faixa etária, 2,98 é assassinada. O índice em 2009 era de 2,61. Este índice representa cerca de 5% dos casos de homicídio geral. Entre as principais causas de homicídio está o conflito com a polícia. E o estudo aponta uma expectativa não muito animadora: até 2016 um total de 36.735 adolescentes poderão ser vítimas de homicídio.
Para Luiz Eduardo Soares, cientista político e especialista em segurança pública, esse quadro já não é novidade para quem estudo o assunto, mas traz uma reflexão urgente. “Há 20 anos estamos vendo este cenário se repetir. E é isso que o torna cada vez mais grave porque sabemos quem são as vítimas, mas não somos capazes de ajudá-las, de reverter estas estatísticas”, lamenta.
Doriam Borges, do LAV-UERJ e um dos responsáveis pelo levantamento do IHA, explica que o índice de homicídios entre os jovens expressa a metamorfose que a violência vem sofrendo ao longo do tempo. “Nas décadas de 1960 e 1970, a violência era caracterizada por assalto a bancos e, embora houvesse homicídio e latrocínio, o número era menor. Atualmente, o tráfico de drogas nacional e internacional foi ganhando força no país, mas o que é mais relevante é o aumento do tráfico de armas e a facilidade de acesso a estes instrumentos”, explica.
Além de idade, as vítimas têm cor
Em artigo publicado pela Carta Capital em agosto do ano passado, ‘A violência contra jovens negros no Brasil’, o especialista em análise política pela Universidade de Brasília (UNB) e ex- consultor da Unesco e da Fundação Perseu Abramo para o tema das relações raciais e de juventude, Paulo Ramos, aponta que o diagnóstico apresentado ao Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) pelo Governo Federal, baseado no DataSUS/Ministério da Saúde e no Mapa da Violência 2011, mostra que em 2010 morreram no Brasil 49.932 pessoas vítimas de homicídio, um total de 26,2 para cada 100 mil habitantes. Dessas vítimas, 70,6% eram negras. No mesmo ano, 26.854 jovens entre 15 e 29 sofreram homicídio, ou seja, 53,5% do total de vítimas em 2010. Destes 74,6% eram negros e 91,3% do sexo masculino. Paulo Ramos reforça ainda que faltam força e organização política para a mudança deste cenário. ‘Existe uma dissonância entre elementos fundamentais para o êxito de uma ação que vise combater os homicídios de jovens negros. Para estas políticas, quando há orçamento, não há reconhecimento de diferenças; quando o projeto aborda a juventude negra, não há recursos. E quando há reconhecimento com recursos, não existe foco nos jovens mais vulneráveis’, explica, no artigo.
Em entrevista à EPSJV/Fiocruz, o consultor relembrou que estes índices de violência aos jovens negros vêm sendo apontados há muito tempo pela sociedade civil e por organizações não-governamentais, mas pouco tem sido feito para mudar essa realidade. “Se pegarmos o histórico, em 1968 foi lançado um livro chamado ‘O Genocídio do Negro no Brasil’; uma década depois, em 1978, foi criado o Movimento Negro Unificado, um ato cujo estopim foi a morte de alguns negros em São Paulo. Fora isso, existem iniciativas de comunidades negras como a criação de uma carteirinha contra a abordagem violenta de policiais, entre outras. Apesar disso, continuamos vendo em dados e estatísticas os mesmos resultados. Precisamos ir além para não vermos mais isso se repetindo”, analisa.
A edição de 2012 do Mapa da Violência: ‘A cor dos homicídios no Brasil’ desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, Secretaria de Políticas de promoção de Igualdade Racial e a Flacso Brasil mostra que este índice está aumentando ao passar das décadas. A pesquisa mostra que entre 2002 e 2010, segundo os registros do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), morreram  no país 272.422 cidadãos negros, com uma média de 30.269 assassinatos ao ano. Além disso, destaca ainda o ano de 2010 como o mais crítico, por ter um somatório de 34.983 mortes por essa causa.
“Várias pesquisas há muito tempo têm mostrado que as vítimas são preferencial jovens, negros e solteiros. No estudo realizado pela LAV-UERJ em parcerias com as outras instituições, é possível perceber que os adolescentes negros têm quase três vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que os jovens brancos da mesma faixa etária”, explica o pesquisador Doriam Borges. E completa: “Vivemos em uma sociedade socialmente e racialmente desigual. E elas têm uma relação muito forte. Não é que os negros deveriam ser mais vítimas, mas, por conta de toda essa desigualdade social, eles continuam sendo vítimas porque já são vítimas de tantas outras violências há muito tempo”.
Violência e políticas públicas
O relatório do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva SUS), a ser divulgado no início deste ano, mostra que os indivíduos do sexo masculino representaram a maior proporção dentre os atendimentos de casos de violência realizados pelo SUS, totalizando 71,1%. Além disso, ele estratifica, evidenciado que a faixa etária de 20 a 30 anos concentra 34,8% deste montante; e os atendimentos envolvendo pessoas com cor da pele parda e preta são de 51,4% e 17,8%, respectivamente.
Deborah Malta, coordenadora de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, explica que o Ministério tem feito diversas estratégias para dar suporte à implementação de políticas públicas nessa área. “Enquanto política setorial, temos reportado as ações sobre mortalidade, apoiando os estados para que desenvolvam projetos específicos de prevenção, proteção e vigilância. Além disso, o Ministério da Saúde vem desenvolvendo projetos de capacitação de equipes de saúde em relação a acidentes e violência e ao trabalho de notificação de vítimas de violência. Mas, como a compreensão deste tipo de violência está muito relacionada a um conjunto de questões sociais, muitas vezes extrapola a capacidade de intervenção e de dar respostas do setor de saúde”, explica.
No entanto, Paulo Ramos critica a falta de políticas públicas, especialmente de saúde, focadas nesta população negra. “Hoje o Ministério da Saúde desenvolve ações para as mulheres, que acabam atendendo às necessidades das jovens negras, mas políticas especificamente para os homens não existem”, analisa.
Doriam Borges concorda que as políticas públicas existentes hoje são muito abrangentes e que precisam ser mais focalizadas a públicos específicos. “É preciso em primeiro lugar uma política séria de desarmamento. A chance de os jovens morrerem por arma de fogo é muito maior do que por outros meios. Além disso, é importante que se criem políticas específicas de prevenção e redução de homicídios contra adolescentes e jovens, que é o público alvo. Não temos políticas específicas de violência letal. Temos algumas políticas mais abrangentes, como as de segurança pública, mas, muitas vezes, as políticas públicas de segurança acabam sendo mais reativas, e nós precisamos de políticas preventivas na área de letalidade de juventude”, comenta. De acordo com a pesquisa do IHA, o risco de morte com arma de fogo entre adolescentes é seis vezes maior do que por outros meios.
Como forma de orientar políticas públicas mais específicas, as instituições responsáveis pelo IHA também criaram o Guia Municipal de Prevenção da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens com intuito de proporcionar uma metodologia de orientação aos gestores municipais na elaboração de políticas públicas voltadas para a redução da violência desta faixa etária. “Nesse guia, damos algumas orientações sobre como os gestores podem desenvolver políticas públicas. Cada cidade precisa de políticas específicas para suas realidades”, aponta Doriam.
(Foto de capa: Tânia Rêgo/ABr)
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Lista suja do trabalho escravo tem 409 empregadores


Calcula-se que os citados no cadastro empregam 9,1 mil trabalhadores, em setores majoritariamente agropecuários
Por Carolina Sarres, da Agência Brasil
No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, lembrado na última terça-feira (28), 409 empregadores estão na lista suja do trabalho escravo, elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Instituto Ethos, a Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil e o Ministério do Trabalho. A lista reúne empresas ou contratantes (pessoa física) que mantêm trabalhadores em condições análogas às de escravidão.
Calcula-se que os citados no cadastro empregam 9,1 mil trabalhadores, em setores majoritariamente agropecuários – como na criação e no abate de animais, no plantio e no cultivo de espécies vegetais, segundo apurou a Agência Brasil. Ainda há empresas de extração mineral, comércio e construção civil.
A lista suja do Trabalho Escravo está disponível na íntegra na internet, e pode ser consultada por qualquer pessoa por meio do nome da propriedade, do ramo de atividade, do nome do empregador (pessoa jurídica ou física), dos cadastros de Pessoa Física (CPF) ou de Pessoa Jurídica (CNPJ), do município ou do estado. A lista foi criada em 2004 por meio de resolução do Ministério do Trabalho.
O infrator (pessoa física ou empresa) é incluído na lista após decisão administrativa sobre o auto de infração lavrado pela fiscalização. Os dados são atualizados pelo setor de Inspeção do Trabalho do ministério. Quando entra na lista, o infrator é impedido de ter acesso a crédito em instituições financeiras públicas, como os bancos do Brasil, do Nordeste, da Amazônia, e aos fundos constitucionais de financiamento. O registro na lista suja só é retirado quando, depois de um período de dois anos de monitoramento, não houver reincidência e forem quitadas todas as multas da infração e os débitos trabalhistas e previdenciários.
Na última sexta-feira (25), foi publicado no Diário Oficial da União o resultado das auditorias fiscais do trabalho em 2012. De janeiro a dezembro do ano passado, foram cerca de 757,4 mil ações. Do total, 241 foram para combater o trabalho escravo.
Durante esta semana, serão promovidos diversos eventos em várias cidades do país para debater a questão. O ministro do Trabalho, Brizola Neto, se reuniu hoje com membros da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), em Belo Horizonte, para discutir os desafios e os avanços do tema – como o trâmite no Congresso Nacional da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação de terras urbanas e rurais onde for comprovado o uso desse tipo de trabalho. A PEC já foi aprovada pela Câmara e precisa passar pelo Senado, o que está previsto para ocorrer ainda este ano.
Na próxima quinta-feira (31), estão previstos debates com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, em São Paulo, quando será levado ao prefeito da cidade, Fernando Haddad, a necessidade de avanços da Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, firmada em agosto de 2012, ainda quando o petista era candidato à prefeitura da capital paulista.
É considerado trabalho escravo reduzir uma pessoa à essa situação, submetendo-a a trabalhos forçados, jornada exaustiva, condições degradantes, restringir sua locomoção em razão de dívida com o empregador ou por meio do cerceamento de meios de transporte, manter vigilância ostensiva no local de trabalho e reter documentos ou objetos do trabalhador com o intuito de mantê-lo no local.
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Justiça condena TV Bandeirantes por ataques de Daneta a ateus


Apresentador afirmou que “ateu não tem limites, e é por isso que a gente vê esses crimes aí”, ao comentar o fuzilamento de um garoto
Da Redação
Datena relacionou crimes violentos com o ateísmo (Foto: Reprodução)
A TV Bandeirantes foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo a veicular esclarecimentos sobre diversidade religiosa e liberdade consciência e crença no Brasil. A decisão foi tomada porque, em julho de 2010, durante a transmissão do telejornal Brasil Urgente, o apresentador José Luiz Datena, relacionou a ocorrência de um crime bárbaro à “ausência de Deus” na vida do criminoso.
“Um sujeito que é ateu não tem limites, e é por isso que a gente vê esses crimes aí”, afirmou Datena ao comentar o fuzilamento de um garoto. “Esse é o garoto que foi fuzilado. Então, Márcio Campos, é inadmissível; você também que é muito católico, não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse, não Márcio?”, completou o apresentador, dirigindo-se ao repórter do programa.
A condenação da TV Bandeirantes é fruto de uma ação civil do Ministério Público Federal. O autor da ação é o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias.
O procurador afirmou que a atitude do apresentador foi preconceituosa e ofendeu a honra de pessoas ateias. “Evidentemente, houve atitudes extremamente preconceituosas, uma vez que as declarações do apresentador e do repórter ofenderam a honra e a imagem das pessoas ateias”, disse Dias. “O apresentador e o repórter ironizaram, inferiorizaram, imputaram crimes, ‘responsabilizaram’ os ateus por todas as ‘desgraças do mundo’”, completou.
Com a condenação, a TV Bandeirantes é obrigada a exibir em rede nacional, durante o programa Brasil Urgente, esclarecimentos à população sobre a diversidade religiosa e a liberdade de consciência e de crença no Brasil, com duração idêntica ao tempo utilizado para a exibição dos ataques aos ateus. Em caso de descumprimento, a emissora terá que pagar multa diária de R$ 10 mil.
Com informações da Rede Brasil Atual.
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“Sistema escolar brasileiro é fundamental na reprodução do racismo”


Por: Por Felipe Rousselet
01/02/2013
Neste mês de fevereiro, a Lei Federal 10.639/2003, de autoria da ex-deputada federal Esther Grossi (PT), que determina a obrigatoriedade do estudo da história e culturas afro-brasileira, africana e indígena na educação básica, completa dez anos. Embora sua aplicação seja limitada, a lei já produziu bons resultados, entre eles o Prêmio Educar Para a Igualdade Racial, uma iniciativa que premia professores que incentivam o estudo da cultura afro-brasileira e africana no Brasil.

A reportagem da Revista Fórum entrevistou o professor Athayde Motta, diretor-executivo do Fundo Baobá para Equidade Racial, entidade doadora cujas causas são o fortalecimento das organizações civis afro-brasileiras e o avanço da filantropia para a justiça social no Brasil, para saber sua opinião sobre os dez anos da lei, sua aplicação e a situação do racismo hoje no Brasil.

Fórum – Qual a importância da Lei Federal 10.639/2003, que determina a obrigatoriedade do estudo da história e culturas afro-brasileira, africana e indígena na educação básica? Após dez anos de aprovação, ela já gerou resultados concretos na formação dos jovens?

Athayde Motta - A aprovação desta lei tem várias facetas importantes. Em primeiro lugar, ela não existiria sem a atuação das organizações da sociedade civil afro-brasileiras, cuja atuação é desconhecida e desvalorizada. Em segundo lugar, essas organizações não trabalham por causas como essa por necessidade de atenção simplesmente, mas porque as culturas afro-brasileira, africana e indígena são uma grande parte de nossa História e não saber mais sobre isso nos torna um país com conhecimentos limitados.

Finalmente, ela ajuda a transformar mentes e corações quando se percebe que o sistema escolar brasileiro é fundamental na reprodução do racismo.

Fórum – Como o senhor avalia a aplicação da lei? Ela está realmente sendo respeitada pelas redes de ensino?

Motta - O maior problema na implantação da Lei é que todos achavam que sabiam tudo sobre este tema, e na verdade não sabemos nada ou muito pouco. O nível de desinformação, pesquisa, e produção científica é sofrível. O investimento que isto pede é algo que as escolas não querem e muitas não podem bancar.

Fórum – Qual a importância desta lei para aceitação pela sociedade de políticas afirmativas, como, por exemplo, cotas em universidades?

Motta - Não há relação direta entre uma e outra. Obviamente, em 20 ou 30 anos é possível que o meio acadêmico não seja o setor mais resistente da sociedade às cotas. Em 30 anos, também poderemos ter uma geração de estudiosos sobre as culturas africana, afro-brasileira e indígena que utilizem conceitos e teorias contemporâneas e não ideias impregnadas de uma patologia cultural que sempre inferiorizam negros e indígenas.

Neste momento, a lei é fundamental para que as escolas sejam espaços de aprendizagem livres e de formação de cidadãos sem preconceitos. A lei também é fundamental para que as crianças negras não tenham suas oportunidades negadas desde o ensino fundamental.

Fórum – Para o senhor, qual a situação do racismo hoje no país? Na última década, ele aumentou ou regrediu?

Motta - Ele se tornou mais presente no cotidiano da sociedade, pois as organizações afro-brasileiras conseguiram transformá-la em um assunto relevante. Saber sobre ele não significa que mudanças ocorrerão em seguida. Brasileiros sentem que estão perdendo um patrimônio se deixarem de acreditar na democracia racial para construir uma sociedade igualitária de fato.

Além disso, o equilíbrio da sociedade estará em risco se houver uma mudança muito grande. Por exemplo, brancos não serão mortos, ofendidos ou humilhados. Apenas não poderão permitir que isto aconteça com os negros. A questão é de perda de poder, que é algo sempre complexo.

Fonte: Revista Forum - ONLINE